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Por que os homens não voam?
Por que os homens não voam?

Crônicas não datadas Pablo Morenno surge como um cronista consumado, neste seu livro de estréia.

Suas crônicas dão a impressão de terem sido escritas para livro, e não para jornal. Como os bons cronistas, Morenno extrai do cotidiano e da atualidade os aspectos que, por demasiado humanos, não perdem o interesse com a passagem do tempo.

Seus textos possuem um caráter fortemente lírico. Na esteira de Rubem Braga, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos e outros cronistas brasileiros consagrados, Morenno dá atenção especial à linguagem, por saber que a transposição da realidade à literatura não prescinde da criação verbal, da luta com as palavras. Não é por acaso, aliás, que Morenno guarda, em suas gavetas, inúmeros poemas escritos por ele, que cedo ou tarde deverão vir a público, revelando mais uma faceta desse autor que, apesar da juventude, já demonstra segurança e domínio sobre a sua criação.

O presente livro se divide em duas partes, mais ou menos simétricas, que espelham, cada qual, uma forma de relação entre o cronista e o mundo. Na primeira parte, "Sobre cacos de vidro", o cronista registra, de forma nada resignada, as porradas que levou da vida, e elabora um inventário de fracassos e frustrações. Na segunda parte, "Cavalos que ventam", o cronista dá a volta por cima, apontando possibilidades ainda inexploradas de existência, vidas a serem continuamente inventadas e reinventadas.

Inquietações da atualidade percorrem essas crônicas. Os limites que os pais devem impor aos filhos, a despersonalização das relações inter-humanas, a robotização do ser humano, as guerras imperialistas promovidas pelos Estados Unidos, a espoliação das riquezas e do trabalho brasileiros perpetrada pelas multinacionais, a existência pungente dos meninos e meninas de rua, a invenção de novas drogas farmacológicas para aliviar a angústia do ser humano, entre outros temas, compõe esse mosaico da vida contemporânea. Nem a rede mundial de computadores e a existência das realidades virtuais foram esquecidas. Numa crônica antológica, "Las brujas de plástico", o autor se pergunta se a sua doce companheira, adormecida em seu colo, não seria mera criação virtual. Há, nessa como nas outras crônicas, uma sede insaciável de realidade, de justiça e de verdade que conferem ao livro pretensões não apenas literárias, mas éticas.

Em função dessa preocupação ética, que deixa à mostra a carência de valores da civilização ocidental nesse início do terceiro milênio, destaca-se na obra de Morenno uma reflexão contínua e profunda sobre a experiência pessoal e coletiva, reflexão essa que se mostra capaz de retirar, do tumulto da existência, impagáveis aprendizados, que se expressam no livro através de aforismos, verdadeiras "pérolas de sabedoria". Apenas alguns exemplos: "Filho não é animal domesticável"; "Ser pai é digerir a perda e temperar a espera"; "O medo anda grudado em nossa pele como um beijo indesejado"; "O amor jamais é culpado"; Ao amar, sê como um monge orando"; "Se sobrevivemos à dor, como árvores feridas, hão de vir os frutos"; "Moinhos de vento não copulam com calmarias"; "A felicidade repousa onde está o coração".

Enfim, como toda boa literatura, o livro de Morenno explora o reino do possível, sem pedir licença ao bom senso ou ao bom gosto, e subverte os esquemas habituais de percepção do mundo, projetando novas existências possíveis, existências cuja semente já se encontra lançada no solo da contemporaneidade. Como poeta, Morenno torna visíveis estas vidas ainda invisíveis, torna reais essas vidas virtuais.

Paulo Becker, na apresentação do livro

"Recebi seu livro, li num instante porque é gostoso de ler, e gostei muito. Para uma estréia, excelente. Com tanta coisa ruim que se publica por aí, o seu livro é um conforto."

Lya Luft, por e-mail

"Pablo, você me deu seu Por que os homens não voam? em Passo Fundo, há mais de ano. Minha mulher leu antes de mim e achou excelente. Eu li aos poucos, uma crônica ou duas por semana, sempre achando também excelente. Acho que você merece publicar - e o público precisa - em jornal ou revista de grande circulação. Suas crônicas têm densidade ética e humana, leveza e clareza, beleza e encanto. Parabéns!"

Domingos Pellegrini, por e-mail


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